|
2
– REFERENCIAL TEÓRICO
Assim
como o fordismo e o taylorismo foram métodos de organização do
trabalho surgidos em um dado momento histórico, o mesmo ocorreu
com a chamada Reestruturação Produtiva representada
pelo toyotismo. Os primeiros decorreram de uma época em
que nasciam grandes corporações a partir de novas e necessárias
tecnologias, cujo maior exemplo é o automóvel. A segunda é o
produto de uma época onde a tecnologia passa por uma
"terceira revolução industrial", fortemente
caracterizada pela eletrônica, pela informática e pela robótica.
A
reestruturação produtiva teve sua origem no Japão entre 1950 e
1970. Tal fato só foi possível para aquele país, com uma área
escassa e incontáveis problemas resultantes da segunda guerra
mundial, porque nele surgiu o que se pode chamar de um novo
paradigma. Se indústria foi arruinada, pode ser reestruturada. Se
o mercado é demasiado pequeno, a produção pode ser
flexibilizada (produção flexível) e assim ter condições de
produzir modelos variados em número reduzido e atender aos
desejos do consumidor que até então vinham sendo renegados.
Diferentemente
do fordismo, salienta Antunes (1995), a produção sob a ótica
toyotista é voltada e conduzida diretamente pela demanda. Fato
que se consolidou ao longo dos anos 70 quando os mercados, que até
os anos 60 eram regidos pela oferta, passam a ser globalmente
regidos pela demanda.
Foram
mais de 20 anos implementando novos conceitos e processos que
levaram a uma superação inequívoca da produtividade e projeção
da Toyota no cenário mundial. Seu sistema flexível obteve grande
êxito ao capitalizar as necessidades do mercado consumidor e se
adaptar às mudanças tecnológicas.
Essas
considerações se fazem necessárias no sentido de ilustrar como
que o papel do consumidor vem ganhando importância em todas as
instâncias. Num mundo regido pela relação da indústria com os
seus trabalhadores, o mercado era visto como uma massa que deveria
absorver compulsoriamente a produção de forma a perenizar a equação
predominante do capitalismo: maior produtividade com maior
lucratividade. A partir dos anos 60 vê-se surgir as primeiras
preocupações no sentido de atender a demanda (entenda-se
consumidor) com o objetivo de contemplar uma nova ordem mundial.
É nesse momento que ganham notável importância o marketing e as
estratégias das empresas. Refletindo sobre o exposto, torna-se
interessante recapitular os seus conceitos:
Kotler
(2000, p. 30) define marketing como “um
processo social por meio do qual pessoas e grupos de pessoas obtêm
aquilo de que necessitam e o que desejam com a criação, oferta e
livre negociação de produtos e serviços de valor com os
outros”.
Segundo
Ferreira (1999 versão eletrônica 3.0) estratégia é:
A
arte militar de planejar e executar movimentos e operações de
tropas, navios e/ou aviões, visando a alcançar ou manter posições
relativas e potenciais bélicos favoráveis a futuras ações táticas
sobre determinados objetivos.
2.1
– Teorias sobre estratégia
Um
dos primeiros autores a aplicar a palavra estratégia à
administração foi Chandler (1962, p. 13) que definiu como: “a
determinação de metas e objetivos básicos de uma empresa em
longo prazo e a adoção de cursos de ação e domínio dos
recursos necessários para alcançar esses objetivos”.
Entretanto,
ao longo da evolução do conceito de planejamento estratégico,
percebe-se que ele torna-se mais flexível. A nova estratégia
organizacional incorpora além dos aspectos racionais, os
intuitivos e os emergentes. Essas últimas, não resultam de um
processo pré-concebido pelos administradores ou ditado pelas
empresas de consultoria. Ao contrário, as estratégias emergentes
são resultados de movimentos não formalizados e que despontam de
surpresa.
Essas
estratégias são aperfeiçoadas por meio de um processo
articulado e gradual de tentativas e erros. Assim, para Mintzberg
(1988) estratégia é um termo contextual, ou seja, aplicável às
mais diversas situações, que dependendo do momento poderiam ser
assim descritas:
·
Estratégia como plano: significando um caminho a
ser intencionalmente seguido e que conduza a uma determinada
situação
·
Estratégia como manipulação: o objetivo dessa
estratégia é criar situações que irão enganar um concorrente,
oponente ou competidor;
·
Estratégia como padrão realizado: essa difere das
duas anteriores na medida que não é intencional, é a ocorrida,
encontrada ou realizada independente do planejamento;
·
Estratégia como posição: poderia ser chamada também
de interativa, visto que é aquela que faz a mediação entre a
empresa e o ambiente na qual se acha inserida;
·
Estratégia como perspectiva: essa estratégia surge
a partir da concepção de mundo que possui uma organização. Ela
é conceitual e compartilhada pelos membros dessa organização
através das suas intenções e/ou ações. Nesse sentido,
aspectos como culturas, ideologias e paradigmas se fundem e criam
a intuição coletiva do que é o mundo.
Assim,
de acordo com Chandler e Mintzberg as duas características
principais da estratégia são o fato de ser eventualmente
intencional, e de depender de uma liderança que a promova.
Segundo
Mintzberg (1988), a estratégia está inserida em um contexto
ambiental (estratégia como posição); é emergente, sendo uma ação
efetivamente tomada independente de planejamento (estratégia como
padrão realizado); e é uma resposta de seus formuladores à visão
que têm do mundo.
Whittington
(2002) propõe o estudo da estratégia sob a perspectiva de quatro
abordagens genéricas, interpretadas segundo a forma do seu
planejamento e os objetivos que as nortearam – Fig. 3.
Nesse
sentido, considera-se que os clássicos vêem a estratégia como
um processo racional de planejamento em longo prazo, essencial
para garantir o futuro. Os evolucionistas consideram o futuro algo
muito volátil e imprevisível para ser planejado e acreditam que
a melhor estratégia é concentrar-se na maximização das chances
de sobrevivência hoje. Os processualistas questionam também o
planejamento em longo prazo, vendo a estratégia como um processo
emergente de aprendizado e adaptação. Por último, os sistêmicos
adotam uma posição relativista, argumentando que formas e metas
do desenvolvimento de estratégias dependem muito do contexto
social, devendo ser compreendida com sensibilidade sociológica.
| Figura 3 – Resumo das implicações das
quatro perspectivas sobre estratégia. |
 |
A
forte influência da cultura norte americana sobre o gerenciamento
estratégico é evidenciada logo de início, quando se remete à
“Pergunta Americana” de McCloskey (1990, p. 111):
"Do Maine à Califórnia,
o democrata capitalista americano aprecia a mais americana das
ironias, a Pergunta Americana: Se você é tão esperto, por que não
é rico?"
Dessa
forma fica claro que não existe uma teoria capaz de estabelecer
uma regra fácil para enriquecer, visto que se houvesse, a sua
vantagem seria copiada e anulada em pouco tempo. A questão
evidencia ainda o foco do gerenciamento estratégico embutido na
indagação: a maximização dos lucros.
Nesse
contexto, a proposta do estudo é aprofundar nos pressupostos que
formam as quatro terias básicas sobre estratégia.
2.1.1
– Abordagem clássica
Para
os clássicos, a maximização dos lucros é o objetivo principal
das empresas, e o planejamento racional é o meio de obtê-la.
Nesse sentido torna-se essencial o pressuposto do tipo ideal de “homem
econômico racional” (Hollis; Nell, 1075), cujo ideal “projeta a estratégia como o produto de um único indivíduo
empreendedor, agindo com perfeita racionalidade para maximizar sua
vantagem econômica” (Whittington, 2002, p. 17).
O
homem econômico racional foi essencial para a validação do
pensamento clássico, permitindo a redução da empresa a um
tomador de decisões especial, ignorando as complexidades
organizacionais internas, mas permitindo o desenvolvimento da lógica
racional cujas fórmulas matemáticas prometem um horizonte
planejado e seguro. Sua prática é sustentada por um vasto
arsenal de fórmulas, matrizes e gráficos de fluxos de caixa,
pressupondo sempre a promessa do sucesso dirigido pela técnica.
Entretanto,
essa “fórmula” do sucesso é por vezes questionada e
criticada pela falta de “sabedoria prática” (Whittington,
2002, p. 18), referindo-se ao distanciamento da realidade e à
falta de experiência prática dos formuladores da estratégia.
Na
visão clássica de Montgomery; Porter (1998), a essência da
formulação estratégica está centrada na capacidade de saber
lidar com a competição. Nesse sentido o pensamento convocado
para uma visão mais ampla dessa competição, entendendo que não
somente os concorrentes competem, mas interagem também, os
clientes, os fornecedores, os novos entrantes em potencial e os
produtos substitutos, constituindo as cinco forças básicas
esquematizadas na figura 4.
| Figura 4 – Forças que governam a competição
em um setor industrial. |
|

|
A
interação dessas forças representa o conjunto de ameaças a
serem enfrentadas e que, portanto, devem ser bem conhecidas e
mapeadas. Nota-se, curiosamente, que o enfoque do autor é
fortemente voltado para o setor industrial, apesar de que as
observações registradas aplicam-se também a vários outros
segmentos da economia como ele próprio reconhece posteriormente.
Forças combatentes
Uma
empresa operando num setor não ameaçado por novos entrantes e de
poucos concorrentes, poderá ter baixa lucratividade se enfrentar
um produto substituto superior ou de baixo custo. O mesmo poderia
ocorrer com uma empresa sem concorrentes mas onde o comprador
exerce um poder decisivo sobre o seu negócio. A força ou as forças
competitivas vão determinar a lucratividade de um setor e,
portanto, devem ser o ponto inicial de uma análise estratégica.
AMEAÇA DE ENTRADA
Os
novos entrantes representam uma ameaça cuja magnitude dependerá
das barreiras existentes e da reação dos concorrentes. Segundo
Montgomery; Porter (1998), há seis grandes fontes de barreiras
para novos entrantes:
1.
Economias de escala – o que força os novos
concorrentes a entrarem no mercado já com grande escala ou operar
com desvantagem de custos;
2.
Diferenciação de produto – o peso de uma marca
pode significar pesados investimentos dos entrantes na tentativa
de quebrar a fidelidade do mercado para com um determinado
produto;
3.
Necessidade de capital – o volume de investimento
necessário para entrar num determinado seguimento vai determinar
o nível de vulnerabilidade de um determinado setor a novos
entrantes. Quanto maior o investimento necessário para entrar num
segmento, menor serão aqueles dispostos ou capazes de fazê-lo;
4.
Desvantagens de custo independentes do porte –
nesse caso empresas que detêm um determinado privilégio em relação
aos custos, independente do seu porte, tornará difícil a competição
de um novo entrante. Detentores de conhecimento, tecnologia,
acesso privilegiado (ex: localização geográfica), patentes,
tornam a sua posição de custo quase imbatível frente a esse
tipo de ameaça;
5.
Acesso a canais de distribuição – o recém
chegado tem que conseguir chegar ao consumidor e para isso tem que
vencer aqueles já estabelecidos na disputa por um espaço na
prateleira. Muitas vezes esse acesso pode significar grandes
investimentos e tornar-se uma barreira de grande magnitude para um
novo entrante;
6.
Política governamental – o estado pode agir no
sentido de limitar ou disciplinar qualquer atividade que julgue
necessário proteger ou incentivar. Políticas de protecionismo são
constantemente praticadas no sentido de resguardar o mercado
local. Essa pode ser uma barreira decisiva para aqueles que
pretendem entrar em outro país
Mudanças
de condições podem alterar o cenário da competição e
estabelecer uma nova relação. No exemplo citado por Montgomery;
Porter (1998, p. 16), ao expirar a patente da fotografia instantânea
da Polaroid, a barreira de custo que lhe conferia uma situação
privilegiada de custos, perdeu força, permitindo uma maior
competitividade dos seus concorrentes.
Decisões
estratégicas de um grande segmento de um setor podem também
estabelecer a constituição de novas e fortes barreiras. O
surgimento de redes corporativas é um exemplo, onde a união de
esforços de algumas empresas pode estabelecer um ganho de escala
com reduções de custos que venham a configurar uma barreira de
custo de primeira ordem.
FORNECEDORES E COMPRADORES PODEROSO
Os
fornecedores e compradores poderosos podem estabelecer relações
extremamente dependentes e conflitantes entre a empresas. Um
fornecedor poderoso pode estabelecer preços, margens, prazos e
muitas outras condições. Os compradores poderosos não são
diferentes. Além de preços podem ainda estabelecer a qualidade,
atendimento e ainda jogar um concorrente contra o outro.
A
maioria das empresas seguramente sofre a força de uma dessas
pontas. A sua dimensão passa a determinar o peso da sua consideração
no planejamento estratégico.
PRODUTOS SUBSTITUTOS
Segundo
Montgomery; Porter (1998, p. 20), um determinado setor verá o seu
potencial de lucro e crescimento limitados mediante a relação preço/desempenho oferecido por um produto substituto. Ou seja,
quanto mais atrativo for essa relação, maior a exposição ao
risco de um substituto terá uma determinada empresa ou setor. Os
mesmos autores citam o exemplo dos produtores de açúcar que
viram suas margens engessadas em virtude da forte concorrência
representada pelo xarope de milho.
A
corrida pela posição de mercado passa a ser uma constante entre
concorrentes. Mecanismos como redução de preços, lançamentos
de produtos e golpes de publicidade passam ao cotidiano desse
mercado. Por essa razão, quando um setor adquire maturação, sua
taxa de crescimento diminui e seus lucros começam a declinar.
Formulação da estratégia
Conhecendo
então as forças que interagem nesse processo, cabe então ao
estrategista corporativo identificar os pontos fortes e fracos da
empresa. A partir desse ponto o plano estratégico poderá
estabelecer ações que complementarmente poderão incluir:
1.
posicionar a empresa servindo-se da capacidade da
empresa de forma que estabeleça a melhor defesa contra a força
competitiva;
2.
influenciar no equilíbrio de forças por meio de ações
estratégicas, melhorando, portanto, a posição da empresa;
3.
antecipar mudanças nos fatores básicos das forças,
respondendo a elas antes dos concorrentes, melhorando e
capacitando a posição da empresa no mercado.
Mediante
essas resumidas considerações, pode-se identificar uma visão
predominantemente racional, cuja bandeira é a marca da escola clássica.
Em seu planejamento estratégico poucas são as vezes em que a
evolução do mercado, o meio ambiente e a natureza humana são
considerados como forças combatentes que também agem sobre a
empresa e o mercado. Entretanto, o conhecimento e a identificação
dessas forças ameaçadoras torna-se essencial para um
planejamento estratégico que pretenda um posicionamento sólido
da empresa, consubstanciado numa vantagem competitiva que a
diferencie frente aos seus oponentes.
2.1.2
– Abordagem evolucionária
Essa
abordagem considera que os mercados é que garantem a maximização
do lucro, não pressupondo, necessariamente, métodos de
planejamento racional. Independente dos métodos adotados pelos
gerentes, somente os melhores sobreviverão. São os mercados, e não
os gerentes, que escolhem as estratégias predominantes dentro de
determinado ambiente.
Segundo
Henderson (1989, p. 143), “Os
seres humanos podem estar no topo da cadeia ecológica, mas ainda
somos membros da comunidade ecológica. Daí por que Darwin seja,
talvez, melhor guia para a concorrência entre as empresas do que
são os economistas”.
Os
evolucionistas argumentam que o mercado é muito dinâmico e
competitivo para ser permitir deliberar uma estratégia realmente
eficaz e sustentável. Qualquer vantagem seria anulada em pouco
tempo. Dessa forma a estratégia poderia se constituir numa ilusão
perigosa. Nesse sentido, o que seria importante é buscar uma
abundância de diferentes iniciativas inovadoras das quais o
ambiente possa selecionar a melhor, permitindo à empresa estar
preparada para o “que vier”.
2.1.3
– Abordagem processual
As
bases dessa abordagem, sedimentados pelos trabalhos da American
Carnegie School, é aceitar e trabalhar com o mundo do jeito como
ele é. Rejeitando o princípio do homem racional e a perfeição
dos mercados competitivos, os representantes daquela escola
consideraram seriamente a complexidade interna das organizações.
Nesse sentido eles descobriram e evidenciaram dois temas que se
tornaram os princípios fundamentais do pensamento processualista:
·
Os limites cognitivos à ação racional;
·
A micropolítica das organizações.
Considerando
esses princípios e as suas implicações, as estratégias das
empresa não seriam escolhidas, mas sim programadas. Programadas
para “satisfazer” os interesses da organização em busca de
uma “calma organizacional” que não coincide necessariamente
com o “maximizar o lucro”.
“Em
um mundo tão complexo e cheio de surpresas, o estrategista
precisa reter a proximidade, a consciência e a adaptabilidade do
artesão, em vez de repousar sobre o orgulho de grandes
planejamentos de longo alcance” (Whittington, 2002, p.28).
Esse
foco nas imperfeições das organizações e processos levaram a
quatro diferentes concepções de estratégia segundo os
processualistas:
·
Simplificar a realidade em algo com que os gerentes
possam realmente lidar;
·
Os planos podem ser uma forma de segurança e proteção
gerencial;
·
A estratégia pode emergir retrospectivamente, não
precedendo a ação;
·
Cultivar cuidadosamente as competências internas.
É
sobre esse último item, as competências, que C.K. Prahalad; G.
Hamel (In: M.E. Porter; C. Montgomery, 1998) apresentaram um
importante estudo sobre a questão da competência essencial para
as empresas. Em suas considerações iniciais traçam um paralelo
sobre o desempenho de duas grandes empresas de destaque
internacional, a GTE e a NEC, cujos resultados ao longo do período
analisado foram radicalmente diferentes, invertendo uma supremacia
detida até então pela GTE pelo crescimento expressivo da NEC que
em 1.988 atingiu um faturamento 31% superior ao da sua
concorrente. O que teria levado essas empresas, com negócios
comparáveis, a desempenhos tão diferentes?
Segundo os autores a explicação estaria ligada à
focalização dessas empresas em suas “competências
essenciais” C.K. Prahalad; G. Hamel (In: M.E. Porter; C.
Montgomery, 1998, p. 294).
Nesse
sentido, muito mais importante do que ter uma carteira de negócios
é possuir uma carteira de competências, a qual é capaz de
promover uma maior integração e um desenvolvimento sustentado de
toda a carteira de negócios da empresa.
As
competências essenciais seriam então a raiz ou a fonte de
energia de uma organização, os conhecimentos acumulados
coletivamente que permitem coordenar as diversas habilidades de
produção e harmonizar as múltiplas correntes de tecnologias. Ao
contrário dos recursos físicos, que se deterioram com o tempo,
as competências essenciais não diminuem com o uso, mas precisam
de constante monitoramento para garantir o seu desenvolvimento.
Segundo
C.K. Prahalad; G. Hamel (In: M.E. Porter; C. Montgomery, 1998) um
exemplo que ilustra bem a questão é o da 3M, cuja competência
com fita adesiva se expandiu para uma carteira extremamente
diversificada (Post-it, fita magnética, filmes fotográficos,
revestimentos abrasivos...) que no fundo trata-se nada menos do
que um conjunto de umas poucas competências essenciais
compartilhadas. Outro exemplo seria o da Honda, cuja competência
essencial em motores e conjuntos de força, lhe projetaram com
vantagens únicas nos segmentos de carros, motocicletas,
aparadores de grama e geradores.
A
materialização das competências essenciais pode ser entendida,
nesse sentido, como os produtos essenciais, ou seja, o elo de ligação
entre as competências essenciais e os produtos finais. Os motores
da Honda voltam a ser o exemplo. São um produto essencial para a
consecução do produto final carro ou motocicleta. Por esse
caminho muitas empresas descobriram que poderiam atingir uma
participação muito maior de mercado oferecendo produtos
essenciais para outras empresas que detêm o poder da marca de
produtos finais.
Outro
exemplo citado por C.K. Prahalad; G. Hamel (In: M.E. Porter; C.
Montgomery, 1998, p. 305) é o da Canon, que “tem
a reputação de ter 84 por cento da participação de fabricação
mundial para os motores para impressoras a laser de mesa, muito
embora sua participação de marca no negócio de impressoras a
laser seja minúscula”. Outros tantos exemplos podem ser
identificados nesse sentido, ou seja, empresas que optam por
atingir um mercado utilizando os seus produtos essenciais como
forma de maximizar a sua participação mundial, as suas receitas
e o feedback do mercado, essenciais para um posicionamento estratégico
de longo prazo.
A
partir dessa compreensão, torna-se crítica a posição das SBU
(unidades estratégicas de negócios – strategic
business unit) onde, ao contrário da corporação que se
concebe em competências essenciais, não têm uma visão mais
ampla da empresa, ficando refém da capacidade e do talento das
pessoas que dirigem tais unidades. Em outras palavras, se não se
identificarem as competências essenciais de uma corporação, as
SBU buscarão sempre pelas oportunidades que estiverem mais à mão,
desprezando toda sua capacidade inovadora e de visão global do
negócio.
Nesse
sentido, passa ser fundamental desenvolver uma arquitetura estratégica
da empresa que compreenda a identificação das competências
essenciais que devem ser formadas para si. Dessa forma a organização
se verá forçada a identificar e a se comprometer com as obrigações
técnicas e de produção por toda a extensão dos seus negócios,
produzindo uma vantagem competitiva substancial.
Assim
como as competências essenciais devem ser identificadas e
desenvolvidas, as pessoas que detêm tais competências devem
dispor de uma permeabilidade dentro da organização, circulando
por outras áreas de forma a garantir a difusão e propagação
desses atributos. A alta gerência deve ser capaz, além de
formular a arquitetura estratégica, de promover a integração e
a lealdade dessas pessoas portadoras de competências.
Resumindo,
segundo essa corrente proferida por C.K. Prahalad; G. Hamel (In:
M.E. Porter; C. Montgomery, 1998), os gerentes de hoje devem
perseguir a liderança de fabricação de produtos essenciais,
gerando vantagem competitiva e aumentando a participação global
de suas organizações.
2.1.4
– Abordagem sistêmica
Os
teóricos sistêmicos acreditam que as empresas diferem de acordo
com os sistemas sociais e econômicos nos quais estão inseridas.
Na visão sistêmica é possível planejar e agir efetivamente
dentro dos seus ambientes. Entretanto, os formuladores das decisões
não são indivíduos imparciais, absolutamente isentos. Eles estão
inseridos num contexto social específico que os influenciam
conforme variáveis que incluem profissões, nações e estados,
famílias e gênero.
Segundo
os sistêmicos, o planejamento formal clássico é útil e necessário
para legitimar as estratégias empresarias frente à sociedade a
elite dominante. Entretanto, a diversidade das práticas econômicas
contemporâneas e a complexidade dos ambientes, exigem uma
sensibilidade sistêmica na formulação de estratégias realmente
competitivas. Supor que concorrentes que vêm de ambientes e
realidade diferentes estejam agindo com estratégias semelhantes
pode constituir-se num erro leviano e substancial.
A
realidade de cada país ou estado pode determinar objetivos
diametralmente opostos, impondo diferentes perspectivas do que é
desejável num planejamento estratégico.
Nesse
sentido, a abordagem sistêmica entende que as estratégias devem
ser “sociologicamente eficientes”. Não há muito o que
inventar: jogue pelas regras locais.
2.2 – Estratégias de crescimento
“O problema da organização
industrial tem me intrigado desde que recebi meu primeiro M-16 no
exército, no qual estava estampado Made by General Motors”. (Walker,
1988, p. 377).
Nessa altura, estendendo o estudo sobre a estratégia, torna-se
fundamental entender as implicações das quatro perspectivas para
três estratégias de crescimento em particular – inovação,
diversificação e internacionalização.
2.2.1
– Inovação
Na
tradição clássica dominante, percebe-se que para o sucesso de
uma inovação é essencial que esta seja concebida e orientada
pelo mercado. Segundo Cooper; Bretani (1991), para os serviços,
tanto quanto para os bens manufaturados, uma forte orientação de
mercado – expressa por pesquisa de mercado, testes extensivos e
capacidade de reação às necessidades do cliente – é vital
para o sucesso na inovação. Ou seja, mantenha-se próximo dos
seus clientes.
Nesse
sentido deve-se controlar a pressão exercida pelos departamentos
de pesquisa e desenvolvimento através da orientação para o
marketing. As iniciativas de pesquisa e desenvolvimento P&D
deveriam, portanto, ser subordinadas e integradas à direção de
marketing da organização.
Numa
visão mais ampla a inovação pode servir a outros objetivos, além
de deixar os clientes felizes. Visões das perspectivas tanto
processual quanto sistêmica sugerem também que a abordagem
dirigida para o mercado pode não ser o único meio efetivo, e
lucrativo, para inovar.
Dois
grupos da tradição clássica divergem sobre o tema, e ajudam a
esclarecer a obsessão dos profissionais de marketing com o
cliente, quanto à inovação.
Tanto
os schumpeterianos quanto os marxistas compartilham o enfoque clássico
no lucro e no controle, mas chegam a conclusões radicalmente
diferentes. Os schumpeterianos apontam para o papel da inovação
na supressão da concorrência e no domínio dos clientes; as
abordagens marxistas enfatizam que as novas tecnologias podem
aumentar o controle gerencial e reduzir o custo da mão-de-obra (Whittington,
2002, p. 90).
Os
sistêmicos registram seu ceticismo sobre essa perspectiva
orientada exclusivamente para o cliente. Segundo eles há que se
considerar os interesses dos profissionais de marketing envolvidos
no processo e as especificidades culturais. Segundo Whittington
(2002), os ocidentais mostram forte tendência pelo pensamento
racional, enquanto que os japoneses, por exemplo, preferem o tácito
e o holístico.
Já
para os processualistas, a abordagem de inovação orientada para
o marketing falha por exagerar a previsibilidade de mercados e
subestimar a complexidade das organizações. Por eles, o mercado
engana porque a percepção que os consumidores têm das suas
necessidades é restrita e deficiente, sobretudo quando não sabem
o que é viável tecnicamente. Segundo eles, a inovação muitas
vezes ocorre acidentalmente, como foi o caso da descoberta do
poliuretano, relatada por Reader (1975), resultado de uma explosão
acidental nos laboratórios da empresa ICI em 1933.
Na
visão processualista a inovação é um processo na maioria das
vezes incontrolável. Segundo Quinn (1985, p. 83), “poucas,
se houver, das importantes inovações resultam de sistemas de
planejamento altamente estruturados”. A melhor forma de
inovar é pelo incrementalismo, pluralismo e descentralização
– “o caos dentro de diretrizes”.
2.2.2
– Diversificação, integração e aquisições
A
diversificação das empresas torna-se mais expressiva no século
XX, sobretudo no período pós-guerra. Apesar do discurso de
concentrar-se e voltar às competências essenciais no final do século
XX, as grandes empresas continuaram a diversificar-se.
Pela
visão clássica a diversificação é resultado de um
desenvolvimento lógico, garantindo o uso eficiente e racional dos
recursos. Já os sistêmicos creditam essa tendência à
facilidade peculiar que os mercados financeiros anglo-saxões
ofereciam para as fusões e aquisições.
Para os clássicos a decisão pela diversificação passa por uma análise
racional.
Os
custos de transação de manter determinadas atividades
internamente são realmente inferiores à subcontratação deles
no mercado aberto? Se não forem, desintegre. Existem recursos
subutilizados – gerentes, fábrica, canais ou marcas – que
poderiam ser mais bem aproveitados para ganhar economias de
escopo? Se existirem, diversifique. (Whittington,
2002, p. 100).
Para
os sistêmicos essa decisão extrapola muito essa visão racional.
A decisão pela diversificação, seja pela fusão ou aquisição,
contemplam questões outras como interesses e necessidades de
grupos de pessoas e da própria estratégia da organização.
2.2.3
– Internacionalização
A
internacionalização surge como estratégia de posicionamento e
defesa das empresas frente aos seus concorrentes no cenário
mundial. Segundo Whittington (2002), por meio do FDI, investimento
estrangeiro direto, as empresas iniciam um forte movimento nesse
sentido no final do século XIX, quando empresas inglesas
respondem por 45,5% do total de ações de FDI do mundo
A
estratégia multinacional é um jogo de criar e defender posições
oligopolistas das quais se extraem lucros não competitivos de
consumidores dominados. Quanto mais os participantes forem
multinacionais, maior a sua vantagem. Uma proliferação de
investimentos no país aprimora a capacidade de retaliar
agressores de forma gradual e não destrutiva: o defensor pode
disparar tiros de advertência em pequenos mercados primeiro, só
chegando à guerra total em mercados importantes, se o agressor não
recuar. (Whittington,
2002, p. 113),
A
diversificação em mercados internacionais, segundo os clássicos,
permite desenvolver uma série de estratégias como subsidiar a
batalha em mercados particulares, aprimorar o conhecimento sobre o
concorrente e até mesmo estabelecer um equilíbrio conivente e
“gentil” com os competidores.
Em
conclusão, na visão dos evolucionistas a internacionalização
é uma fonte importante de ganhos e eficiência competitiva. Já
os clássicos, com a teoria do jogo, vêem essa estratégia como
parte de um jogo elaborado de concorrentes que se antecipam e
contrapõem. Já os sistêmicos, são céticos quanto essa eficiência
e preferem suspeitar de um interesse mais imperialista, e
ressaltam a confusão desse jogo sob o argumento de que nem todos
manterão as mesmas regras.
E
ainda, ao observar as diferentes perspectivas sobre as estratégias
de inovação, diversificação e internacionalização,
percebe-se uma clara necessidade das organizações de estabelecer
planos ou se adaptar a eles, como preferem os sistêmicos, de modo
a garantir o crescimento das empresas. Seja por interesses
pessoais, pelo dos acionistas, por proteção ou pela maximização
dos lucros, essas estratégias têm como pano de fundo a sobrevivência
e crescimento dessas organizações.
2.3
– Gerenciando a estratégia
Segundo
Cyert; March (1963, apud Whittington, 2002, p. 118):
As
organizações são coalizões de indivíduos limitadamente
racionais e politicamente motivados, tendenciosos do ponto de
vista cognitivo, que adoram a rotina. Fazer mudar esses tipos de
organizações exige muita paciência para persuadir e estabelecer
acordos políticos.
É
por meio dessa reflexão que se abre o debate sobre as
dificuldades inerentes ao gerenciamento da estratégia, tratando a
questão sob as perspectivas clássica, processual, evolucionista
e sistêmica.
2.3.1
– Estratégia e estrutura
O
debate, segundo cada escola, tende para a defesa dos seus princípios.
Mas parece que uma questão serve de interseção: para que serve
uma boa estratégia se não se encaixa na estrutura e vice versa?
Nesse
sentido a visão de Alfred Chandler (1962) prevaleceu por muito
tempo. Segundo ele, a estrutura segue a estratégia. Em seus
estudos exemplificados pela Du Pont, General Motors, Standard Oil
(agora Exxon) e Sears Roebuck, ele descreve como a diversificação
acabou gerando um caos organizacional. Enquanto essas empresas não
adotaram novas estruturas com várias divisões, para acompanhar a
estratégia de diversificação, o caos resultante desse processo
quase acabou com as próprias organizações. Resumindo, a
estrutura precisa seguir a estratégia.
Os
autores processuais, no entanto, se servem da mesma lógica para
entender que ordem é contrária, defendendo que a estrutura vem
primeiro, antes da estratégia. Ou seja, a estratégia é
formulada de acordo com as ferramentas que se possui. Numa visão
mais equilibrada Mintzberg (1990, p. 183) conclui que a relação
entre estrutura e estratégia é recíproca: “a
estrutura segue a estratégia... como o pé esquerdo segue o
direito”.
Sendo
assim, segundo Whittington (2002), parece um tanto simplista a visão
clássica e evolucionista, acreditando que a estrutura é capaz de
seguir fielmente a estratégia, desconsiderando outras questões
como as apresentadas pelos sistêmicos onde o ambiente, por meio
das suas inúmeras variáveis, pode interagir nessa relação
tornando-a mais dependente do meio do que da lógica racional do
planejamento clássico. Concluindo, é preciso ser sensível ao
contexto.
2.3.2
– Mudança estratégica
Segundo
Whittington (2002, p. 127), a visão processual enfatiza a
dificuldade da mudança da estrutura organizacional, sobretudo
quando se trata de uma mudança estratégica geral. Dessa forma, a
capacidade de mudança estratégica torna-se uma importante arma
de diferenciação e vantagem competitiva. “A
vantagem verdadeiramente sustentável vem da capacidade interna de
adaptar-se e de aprender”.
Nesse
sentido, a grande dificuldade reside em conseguir dos gerentes a
postura adequada e eficaz para implantação das novas estratégias
incorporando as mudanças necessárias para a sua implantação.
Muitas vezes a substituição desses gerentes torna-se a única
maneira de se atingir as mudanças desejadas. Os profissionais de
dentro da empresa parecem relutantes às mudanças e aos
rompimentos estabelecidos por uma nova estratégia ou até mesmo
por guinadas exigidas para uma recuperação de mercado.
Para
os teóricos da agência, o controle da eficácia das mudanças e
a fidelidade com os interesses da organização, podem ser obtidos
por meio da pressões de mercado, onde os agentes são expostos a
todo tipo de pressão (ameaça de demissão, de exposição na mídia
por fraco desempenho, ameaça de venda da sua unidade, abandono de
projetos e etc).
Os
teóricos processualistas têm uma visão menos fatalista. A solução,
segundo essa escola, estaria na aprendizagem corporativa. Segundo
De Geus (1988, p. 71), então chefe de planejamento da Royal Dutch
Shell, “a capacidade de
aprender mais rápido que os concorrentes pode ser a única
vantagem competitiva sustentável”. Na Shell, portanto, o
planejamento corporativo é basicamente sobre flexibilidade –
mudança de mentalidade – em vez de rigidez – formulação de
planos.
As
estruturas cognitivas existentes precisam ser constantemente
desafiadas, estimulando-se os dissidentes, tolerando-se os
experimentos fracassados e aceitando-se a definição chinesa
dualista de crise (risco e oportunidade). A natureza auto-reforçadora
coletiva das receitas existentes requer que os processos tanto de
aprendizagem quanto de desaprendizagem estendam-se profundamente
pela organização. (Whittington,
2002, p. 132).
O
perigo dessa aprendizagem gradual ou treinamento compreensivo é a
sua natural sensibilidade aos interesses pessoais daqueles que
deveriam agir com isenção às mudanças necessárias. Dessa
forma, embora reconhecendo a necessidade das mudanças, os
gerentes podem recusar a aprendê-las mediante um interesse
pessoal.
Seja
qual for a perspectiva, a questão da mudança é sempre polêmica
e difusa. Não apenas porque fere interesses pessoais, mas porque
rompimentos de qualquer natureza sempre foram repudiados pela própria
natureza humana. Nesse sentido, desconsiderar a interseção da
razão das várias escolas poderia remeter a uma visão um tanto míope
da realidade empresarial.
Nem
tanto ao mar nem tanto a terra, talvez seja essa a única
perspectiva verdadeiramente sensata dessa questão. Como conceber
um plano estratégico envolvendo mudanças sem considerar a
possibilidade da intercalação seqüencial, 1º estratégia em 2º a
estrutura ou 1º a estrutura
em 2º a estratégia? Seria mais uma reflexão sobre o ovo ou
a galinha? E mais, como planejar sem considerar todas influências
do ambiente nessa estrutura que deverá executar tal estratégia?
Ou ainda, como gerenciar essas mudanças sem uma visão
evolucionista onde uma mera distração pode aniquilar a empresa?
2.4
– COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR
2.4.1
– os processos decisórios do consumidor
O
comportamento de escolha humano já foi objeto de inúmeras
pesquisas. Segundo Engel, Blackwell e Miniard (2000), o
comportamento de processo de decisão pode ser entendido como
resultante da solução de um problema. Por solução de problema
os autores se referem “à
ação constante, ponderada, tomada para trazer satisfação de
uma necessidade” (ENGEL; BLACKWELL; MINIARD, 2000, p. 92).
Nesse
sentido, muitos fatores podem influenciar o resultado, como motivações
internas e externas como pressões sociais ações de marketing. A
tomada de decisão é resultante da combinação de todos esses
fatores, e o indivíduo provavelmente decidirá com base naquilo
que é lógico e coerente para ele.
Para
Engel, Blackwell e Miniard (2000, p. 92), quando o indivíduo age
ponderando e avaliando cuidadosamente os atributos utilitários
(ou funcionais) do produto, pode-se entender que ele está a
caminho de uma tomada de decisão racional. Por outro lado, benefícios
hedonistas (orientados emocionalmente) poderão predominar, sendo
o objeto de consumo visto simbolicamente em termos de prazeres
sensoriais. A decisão pela compra e o consumo, em geral refletem
uma combinação dos benefícios utilitários e hedonistas. Ainda
segundo os autores em tela, a tomada de decisão de consumidor tem
os seguintes estágios:
- Reconhecimento de necessidade – compreendendo a
percepção da diferença entre a situação desejada e a
situação real suficiente para estimular e ativar o processo
decisório;
- Busca da informação – busca interna
(compreendendo a informação armazenada na memória) e busca
externa (compreendendo a aquisição da informação no
ambiente);
- Avaliação de alternativa pré-compra –
compreende a avaliação das opções de benefícios esperados
e o processo da escolha para a alternativa preferida;
- Compra – aquisição da alternativa preferida ou
de uma substituta aceitável;
- Consumo – uso da alternativa adquirida;
- Avaliação de alternativa pós-compra –
compreende a verificação do grau em que a experiência de
consumo gerou satisfação;
- Despojamento – descarte do produto não consumido
ou do que dele restou.
Seguindo
esse raciocínio, Engel, Blackwell e Miniard (2000) complementam o
entendimento sobre o assunto, apresentando o seu modelo de
processo de decisão do consumidor. Segundo o modelo, existe um
conjunto complexo de fatores que influenciam e moldam o
comportamento de processo decisório, que são divididos em três
categorias: (1) diferenças individuais (compreendendo as
categorias recursos do consumidor, conhecimento, atitudes, motivação
e personalidade, valores e estilo de vida); (2) influências
ambientais (compreendendo a cultura, classe social, influência
pessoal, família e situação) e (3) processos psicológicos
(compreendendo o processamento de informação, aprendizagem e
mudança de atitude e comportamento).
Ainda
segundo o modelo, o processo decisório possui uma escala contínua
de complexidade de tomada de decisão que varia de alta a baixa,
FIG. 5.
|
Figura 05
– Escala de Processo Decisório do Consumidor |
|

|
|
Fonte: Engel, Blackwell e Miniard (2000, p. 102)
|
A
escala proposta pelos autores pressupõe que os consumidores que
estão tomando uma decisão pela primeira vez, terão suas ações
baseadas em alguma forma de solução de problema. Se esse
processo é complexo, é chamado de solução de problema ampliada
ou complexa (SPA). Se, no entanto, a solução representar um grau
mais baixo de complexidade, o processo é chamado de (SPL), solução
de problema limitada.
Se
o processo decisório é detalhado e rigoroso, a solução de
problema ampliada SPA, é uma necessidade. A SPA é normalmente
usada na compra de produtos ou serviços para os quais os custos e
riscos de uma decisão errada são altos.
Quando
a SPA é ativada, todos os seis estágios dos processos decisórios
provavlemente serão seguidos, embora não necessariamente numa
ordem precisa. É provável que muitas alternativas sejam
avaliadas e uma ampla variedade de fontes de informação seja
consultada. Além disso, a decisão de como e onde fazer a compra
também exige busca e avaliação adicionais. (ENGEL; BLACKWELL;
MINIARD, 2000, p. 103)
2.4.2
– FATORES QUE INFLUENCIAM A EXTENSÃO DA SOLUÇÃO DE PROBLEMA
Em
geral, segundo Engel, Blackwell e Miniard (2000), três condições
importantes se apresentam na solução de problema ampliada: (1) há
um alto grau de envolvimento (relevância pessoal) acompanhando a
compra; (2) as alternativas são diferenciadas de maneiras
variadas; e (3) há tempo disponível suficiente para a deliberação.
Para
Antil (apud Engel, Blackwell e Miniard, 2000, p. 106) “Envolvimento
é o grau de importância pessoal percebida e/ou interesse evocado
por um estímulo (ou estímulos) dentro de uma situação
especifica”. Nesse sentido, o consumidor busca minimizar os
riscos e maximizar os benefícios obtidos da compra e do uso.
Segundo
Laurent; Kapferer (apud Engel, Blackwell e Miniard, 2000, p. 108),
“a SPA é mais provável na medida em que as alternativas de escolha são
vistas como diferenciadas. Quanto mais elas forem percebidas como
similares, entretanto, maior a probabilidade de SPL ou alguma
forma de solução de problema de médio alcance”.
2.4.3
– AVALIAÇÃO DE ALTERNATIVA PRÉ-COMPRA
A
avaliação de alternativa pré-compra é o “processo
pelo qual uma alternativa de escolha é avaliada e selecionada
para atender às necessidades do consumidor” (Engel,
Blackwell e Miniard, 2000, p. 135). Quando a avaliação de
alternativa pré-compra é complexa, como no caso da aquisição
de bens de alto valor, a avaliação assume a forma mostrada na
Fig. 6:
| As decisões geralmente são
tomadas em relação às |
Figura
06 – Componentes Básicos do Processo de Avaliação
de Alternativa Pré-compra. |
|
alternativas
de escolha consideráveis e aos critérios de avaliação
(dimensões ou atributos) que serão usados ao julgar as
alternativas.
Em seguida são julgados os desempenhos relativos
das alternativas consideradas ao longo dos critérios de
avaliação.
Nesse momento é aplicada aos julgamentos realizados
uma regra de decisão para selecionar uma alternativa em
particular.
Os critérios de avaliação são os atributos
particulares utilizados no julgamento das
alternativas de escolha. |

|
| Os critérios podem ter várias
formas. |
Fonte:
Engel, Blackwell e Miniard (2000, p. 136) |
O
consumidor pode considerar fatores como segurança,
confiabilidade, preço, nome da marca, país de origem, garantia,
etc. Fatores de natureza hedonista podem ser igualmente
importantes como sentimentos de posse (prestigio, status) ou de
dirigir um carro.
Seguindo
esse raciocínio torna-se importante entender o conceito de saliência
dos critérios de avaliação. Para Engel, Blackwell e Miniard
(2000, p. 138), “saliência
refere-se à influência potencial que cada dimensão pode exercer
durante o processo de comparação”. Os autores citam o
exemplo das viagens aéreas, onde fatores como segurança e preço
podem ser tão semelhantes que outro atributo importante (atributo
saliente) será necessário para que realmente influencie o
processo de avaliação. Esses atributos nos quais as alternativas
diferem em seus desempenhos os autores denominam de atributos
determinantes.
Para
determinar um conjunto de alternativas do qual uma escolha será
feita, o consumidor constituirá um conjunto de consideração.
Quando os seus conhecimentos ou memória não são suficientes
para formar um julgamento, ele fará uma busca externa. As estratégias
ou procedimentos utilizados para fazer a escolha final são
chamados de regras de decisão (Engel, Blackwell e Miniard, 2000).
As
regras de decisão podem variar de simples até aquelas mais
complexas, que envolvem tempo e esforço de processamento do
consumidor. Para uma escolha habitual, a regra de decisão é
simples. Quando a regra a ser adotada é mais elaborada ou
complexa, uma distinção torna-se fundamental: ela envolve um
procedimento compensatório ou não-compensatório?
Regras
não-compensatórias, como lexicográficas, eliminação por
aspectos e conjuntiva, não permitem que os pontos fortes do
produto compensem os seus pontos fracos. Já as regras compensatórias
permitem que os pontos fortes do produto compensem os seus pontos
fracos.
2.4.4
– O PROCESSO DE COMPRA
Para
Engel, Blackwell e Miniard (2000, p. 152), processo de compra
contempla várias decisões: (1) se comprar ou não; (2) quando
comprar; (3) o que comprar; (4) onde comprar; e (5) como pagar.
Muitas
vezes esse processo da decisão de compra é abortado, decorrente
de um grande número de fatores que podem intervir:
- Mudança de motivações – outras necessidades
tornam-se dominantes sobre a necessidade ativada;
- Mudança de circunstâncias – questões econômicas
e outros fatores podem tornar a compra numa decisão
imprudente;
- Nova informação – a avaliação de alternativa
anterior mostrou-se deficiente;
- Alternativas desejadas não estão mais disponíveis
– escassez não prevista.
Diante
dessas questões, o marketing de relacionamento tornou-se o grande
desafio do varejo. A criação e a troca produtiva de uma base de
clientes leais são realizadas, segundo Engel, Blackwell e Miniard
(2000), pelos seguintes meios: (1) foco no valor agregado ao
consumidor; (2) venda pessoal; (3) promoção de vendas; e (3)
marketing de banco de dados.
Entretanto,
a maioria das compras no varejo ocorre sob solução de problema
limitada, onde há baixa lealdade à marca e propensão de trocar
as escolhas de marca. A experimentação torna-se aqui uma estratégia
eficaz. Os métodos mais utilizados para estimular a experimentação
são: (1) exibição e propaganda; (2) incentivos em preço; (3)
prêmios; e (4) amostra.
Mas,
alcançar o público alvo está cada vez mais difícil. Por isso
grande parte dos profissionais de marketing estão apostando cada
vez mais numa combinação de métodos de marketing direto
contemplando vendas diretas, anúncios de mala direta, catálogos
de mala direta, telemarketing, anúncios de resposta direta e mídia
eletrônica interativa.
2.4.5
– CONSUMO, SATISFAÇÃO E DESCARTE
A
decisão de consumir ou não consumir está sujeita a inúmeras
influências. Segundo Engel, Blackwell e Miniard (2000, p. 172), a
decisão pelo consumo ou o uso, que segue o ato de comprar, pode
incluir várias formas:
- Uso na primeira oportunidade conveniente;
- Armazenamento de curto prazo em antecipação de
oportunidades de uso posterior;
- Armazenamento de longo prazo sem uso específico ou
antecipado em mente.
Entretanto,
o processo de consumo pode ser abortado em conseqüência do
arrependimento do consumidor, resultante da dúvida pós-compra
(ou dissonância). Nesse sentido, o trabalho de marketing reforçando
a escolha do consumidor pode ser vital para a satisfação e retenção
do cliente.
Para
Engel, Blackwell e Miniard (2000, p.172) essa satisfação e retenção
do cliente passam pelo “...retorno
ao conceito duradouro de um relacionamento mais íntimo,
individual, com o cliente, chamado marketing de relacionamento”.
Mas
para atingir esse relacionamento a pesquisa contínua de marketing
tornou-se essencial. Trata-se de um caminho eficaz para conhecer a
realidade íntima do consumidor. Os resultados podem ser
produtivos, como cita em sua experiência Susan Krafft (apud Engel,
Blackwell e Miniard, 2000, p. 175) sobre a pesquisa realizada pela
revista norte americana Decorating Remodeling sobre o papel da
cozinha na vida familiar:
A
‘cozinha dos sonhos’ deve permitir seis funções diferentes:
(1) uma área central para preparação de comida; (2) um lugar
para guardar casacos e botas; (3) uma sala de jantar; (4) uma sala
de leitura; (5) armazenamento de alimentos com controle de
temperatura; e (6) copa. Isso tomaria cerca de 55 metros
quadrados, mais de um terço do espaço da construção total na
maioria das casas.
Entender
o significado do consumo na vida diária passa a ser o ponto
chave. Compreender como o consumidor compara o desempenho de
produto ou serviço com as expectativas, levará ao entendimento
de como alcançar a satisfação ou insatisfação do cliente. A
satisfação leva à retenção do cliente, reforçando a sua
lealdade, enquanto a insatisfação pode gerar reclamações de
toda ordem.
Nesse
contexto é particularmente interessante a visão de Lovelock e
Wright (2001, p. 102) quando enunciam: “Em
grande medida, as definições baseadas nos serviços igualam
qualidade e satisfação do cliente, conforme a fórmula”:
|
Satisfação
= Serviço prestado / Serviço esperado
|
Segundo
essa teoria a qualidade do serviço é representada pelo grau em
que as expectativas do cliente são atendidas ou superadas pelo
serviço prestado. Se o serviço for compreendido como melhor do
que o esperado, o cliente fica satisfeito, se por outro lado
estiver abaixo das expectativas, podem ficar decepcionados.
Para
Lovelock e Wright (2001) a qualidade de um serviço é resultado
da avaliação dos clientes a partir de um julgamento baseado em
algum padrão que existia antes da experiência de serviço. As
expectativas do cliente estariam baseadas, portanto nesse padrão
interno para julgar a qualidade do serviço. Por isso em geral os
clientes possuem uma referência do serviço esperado que desejam.
Embora
todos prefiram um serviço ideal, os clientes não possuem
expectativas absurdas ou extravagantes. Segundo Lovelock e Wright
(2001, p. 104), os clientes
compreendem
que as empresas nem sempre prestam o melhor serviço possível.
Por esse motivo, eles também possuem um nível inferior de
expectativas para serviço aceitável. Esse nível inferior de
expectativa, chamado serviço esperado, é o nível mínimo de
serviço que os clientes aceitarão sem ficar insatisfeitos.
Com
relação às expectativas, pode se perceber um consenso na visão
de Engel, Blackwell e Miniard (2000) e de Lovelock e Wright
(2001). É importante comunicar corretamente e não gerar falsas
expectativas no cliente.
A
criação de expectativas realistas, (evitando a frustração do
consumidor) a garantia da qualidade do produto e o enfrentamento
correto da insatisfação (assumindo responsabilidades com
respostas rápidas e apropriadas) são elementos que para Engel,
Blackwell e Miniard (2000) podem assegurar uma estratégia de
marketing eficaz para a retenção do cliente.
Em
outra perspectiva, Schiffman e Kanuk (2000) apresentam uma visão
semelhante por meio do seu modelo de processo de motivação. Para
eles a frustração é resultante do fracasso em alcançar um
objetivo. Nesse sentido as estratégias das empresas estarão sensíveis
aos efeitos de sucesso e fracasso de seleção de objetivos. Os
objetivos devem ser alcançáveis e os anúncios devem ser
realistas. Do contrário podem causar a frustração por não
atenderem as expectativas geradas.
As
necessidades e objetivos estão sempre mudando em resposta a
diversas variáveis como o ambiente, experiência adquirida, mudança
da condição física ou social. Segundo Schiffman e Kanuk (2000,
p. 63):
À
medida que os indivíduos alcançam seus objetivos, eles
desenvolvem outros. Se não os alcançam, eles continuam a se
dedicar a velhos objetivos ou desenvolvem objetivos substitutos.
Algumas das razões pelas quais a atividade humana voltada para as
necessidades nunca pára incluem: (1) as necessidades existentes
nunca estão completamente satisfeitas; elas continuamente impelem
atividade planejada para alcançar ou manter a satisfação. (2)
À medida que as necessidades são satisfeitas, necessidades novas
e de ordem mais alta emergem e causam tensão. (3) As pessoas que
alcançam seus objetivos estabelecem objetivos novos e mais altos
para si próprias.
Entretanto,
para falar de satisfação torna-se necessário conhecer como é
avaliada a qualidade do produto ou serviço consumido. Para
Schiffman e Kanuk (2000), a avaliação da qualidade dos serviços
é mais difícil que a avaliação da qualidade dos produtos. Essa
dificuldade advém de certas características diferenciadoras dos
serviços: eles são intangíveis, variáveis, são perecíveis e
são produzidos e consumidos simultaneamente.
Ao
contrário dos produtos, grande parte dos serviços é primeiro
vendida, depois produzida e consumida simultaneamente. Se por um
lado um produto defeituoso pode ser controlado durante a sua produção
(corrigido ou eliminado antes de chegar ao consumidor), um serviço
“com defeitos” é consumido à medida que está sendo
produzido, restando poucas chances de correção.
Para
Zeithaml, Parasuraman e Berry (apud Schiffman e Kanuk, 2000, p.
127) “a avaliação da qualidade dos serviços feita pelo consumidor é função
da magnitude e direção da lacuna entre as expectativas que o
cliente tem do serviço e a avaliação (percepção) do cliente
acerca do serviço efetivamente prestado”. Se a expectativa
é superada, o consumidor tenderá a reconhecer o serviço
prestado como sendo de alta qualidade.
A
meta para melhorar a qualidade do serviço, segundo Lovelock e
Wright (2001, p.108), é estreitar o máximo possível essa lacuna
entre o serviço esperado e o serviço recebido. Para obter isso
os fornecedores de serviços devem reduzir o que chamam das sete
lacunas potenciais na qualidade do serviço:
- Lacuna no conhecimento: compreendendo a diferença
entre o que fornecedores de serviço acreditam que os clientes
esperam e as necessidades e expectativas reais dos clientes;
- Lacuna nos padrões: entendido pela diferença entre
as percepções da administração sobre as expectativas do
cliente e os padrões de qualidade estabelecidos para a
entrega do serviço;
- Lacuna na entrega: sendo a diferença das especificações
dos padrões de entrega e o desempenho real apresentado pelo
fornecedor de serviço;
- Lacuna nas comunicações internas: compreende a
diferença entre as características do produto, desempenho e
nível de qualidade do serviço que são entendidas pelo
pessoal de vendas e propaganda e aquilo que a campanha
realmente é capaz de entregar;
- Lacuna nas percepções: compreendendo a diferença
entre o serviço que é realmente entregue e aquilo que os
clientes percebem ter recebido;
- Lacuna na interpretação: a diferença entre o
prometido pelas campanhas de comunicação de um fornecedor de
serviço e aquilo que o cliente percebeu como prometido por
essas comunicações;
- Lacuna no serviço: a diferença entre o esperado
pelos clientes e suas percepções do serviço que é
realmente entregue.
Mas
a qualidade do serviço não é julgada somente por meio das suas
lacunas. Segundo Zeithaml; Berry e Parasuraman (apud Lovelock e
Wright, 2001, p. 109), os clientes utilizam cinco dimensões
amplas como critérios de avaliação:
- Confiabilidade: o serviço é fornecido
confiavelmente pela empresa conforme prometido ao longo do
tempo?
- Tangíveis:
envolve a percepção de como são as instalações físicas,
pessoal, equipamento e material de comunicação do
fornecedor;
- Sensibilidade: os funcionários da empresa são
prestativos e capazes de fornecer pronto atendimento?
- Segurança: os funcionários do serviço são confiáveis,
bem informados, competentes, educados?
- Empatia: a empresa de serviço fornece atenção
cuidadosa, personalizada?
Segundo
Zeithaml; Berry e Parasuraman (apud Lovelock e Wright, 2001,
p.109) a confiabilidade tem se destacado na avaliação da
qualidade do serviço pelos clientes. “A confiabilidade está no
coração da qualidade do servido porque um serviço não confiável
é um serviço deficiente, a despeito de seus outros atributos”.
Para
medir a lacuna entre as expectativas que o cliente tem dos serviços
e suas percepções do serviço efetivamente prestado, foi criada
a escala SERVQUAL, Tabela 3 com base em cinco dimensões:
tangibilidade, confiabilidade, atendimento, segurança e empatia (Zeithaml,
Parasuraman e Berry apud Schiffman;
Kanuk, 2000, p. 127).
| Tabela
03 – Dimensões SERVQUAL para mensuração da qualidade
de serviços. |
|
Dimensão
|
Descrição
|
|
Tangibilidade
|
Aparência
das instalações físicas, equipamento, pessoal e
materiais de comunicação.
|
|
Confiabilidade
|
Habilidade
de realizar o serviço prometido confiável e acuradamente.
|
|
Atendimento
|
Disposição
de atender os clientes e de prestar serviço rápido.
|
|
Segurança
|
Conhecimento
e cortesia dos empregados e habilidade de transmitir
confiança e segurança.
|
|
Empatia
|
Carinho,
atenção personalizada que a firma oferece a seus
clientes.
|
| Fonte:
Zeithaml, Parasuraman e Berry (apud Schiffman e Kanuk,
2000, p. 127)
|
Outra
escala, a SERVPERF, busca medir a qualidade dos serviços baseando
na percepção do consumidor acerca do desempenho, ou performance
do serviço. “A escala
SERVPERF gera um escore agregado de qualidade geral do serviço
que pode ser representado graficamente em relação ao tempo e a
subgrupos específicos de consumidores” (CRONIN E TAYLOR
apud Schiffman; Kanuk,
2000, p. 127).
Para
Lovelock e Wright (2001), uma boa maneira de medir a satisfação
é buscar identificar junto aos clientes quais os fatores são
importantes em sua satisfação. Identificados esses atributos, é
feita então uma avaliação, utilizando uma escala com cinco
valores: (1) = muito insatisfeito; (2) relativamente insatisfeito;
(3) indiferente; (4) relativamente satisfeito; (5) muito
satisfeito. Conhecidos os dados referentes à satisfação,
pode-se então estabelecer uma estratégia adequada para aumentar
os níveis de satisfação e de retenção dos clientes.
Na
figura 7 pode-se perceber que clientes com índice de satisfação
de 0 a 3 são muito inclinados a desertar, enquanto que os
clientes com nota 4 são relativamente indiferentes, podendo ser
atraídos pelo serviço concorrente. Somente os clientes com nota
5 são totalmente fiéis. Nas extremidades da escala estão os
terroristas e os apóstolos. Os terroristas são o grande risco
para a empresa. Fazem o boca a boca negativo, tentando propagar
com outros clientes da empresa a sua frustração e raiva. Por
outro lado os apóstolos propagam o seu entusiasmo decorrente da
satisfação pela superação das suas expectativas. “Criar
apóstolos e eliminar terroristas deve ser uma meta fundamental
para todo fornecedor de serviço” (JONES; SASSER apud Lovelock
e Wright, 2001, p. 114).
|
Figura
07 – Apóstolos e terroristas na Curva de Satisfação
– Fidelidade. |
 |
|
|
Fonte:
Heshelt; Sasser e Schlesinger (apud Lovelock e Wright,
2001, p. 115) |
Nesse
espectro de avaliações, ganha importância a relação preço/qualidade.
Para Dodds; Monroe e Grewal (apud Schiffman e Kanuk, 2000) o valor
percebido do produto seria um equilibro entre os benefícios
percebidos do produto e o sacrifício percebido (incluindo o monetário
e o não-monetário) necessário para adquiri-lo. Nesse sentido,
ganham força as pesquisas que apóiam a opinião de que os
consumidores compreendem o preço como um indicador de qualidade
do produto.
Segundo
Schiffman e Kanuk (2000), a relação preço/qualidade é
utilizada pelas empresas de construção no posicionamento de suas
ofertas. Os autores citam o exemplo da Trump Tower em Nova York,
onde os preços foram estabelecidos muito acima dos concorrentes
da vizinhança, pretendendo que os apartamentos numa faixa
superior de preço fossem identificados pelo grupo-alvo de
consumidores como os “melhores” apartamentos. A estratégia
obteve pleno êxito. A maioria das unidades foi vendida antes do
final da obra.
Mas
outros dois fatores assumem um peso importante na percepção do
consumidor: a imagem do fabricante e a imagem da marca. Os
fabricantes que possuem uma imagem favorável geralmente gozam de
facilidades ao lançar novos produtos. Eles são mais rapidamente
aceitos que os de um concorrente com uma imagem menos favorável.
A
imagem da marca é definida por Keller (apud Schiffman e Kanuk,
2000, p. 129) como “o
conjunto de associações ligadas à marca que os consumidores têm
na memória”. A imagem positiva da marca estaria associada
à fidelidade do consumidor, as crenças do consumidor sobre os
valores positivos da marca e a um desejo de procurar a marca.
Quando
se trata da fidelidade parece que muitos autores comungam da mesma
teoria. A satisfação do cliente gera muitos benefícios para a
empresa e níveis mais altos de satisfação do cliente produzem
uma maior fidelidade. A Fig. 8 ilustra bem essa colocação.
|
Figura 08 – Benefícios da satisfação do cliente e
qualidade dos serviços. |
|

|
|
Fonte: Lovelock; Patterson e Waller (apud Lovelock e
Wright, 2001, p. 116).
|
A
incerteza acerca das conseqüências de suas decisões de produto
leva o consumidor à percepção do risco. Para Schiffman e Kanuk
(2000), os tipos mais freqüentes de riscos são o risco
funcional, o risco físico, o risco financeiro, o risco social, o
risco psicológico e risco de tempo. Para reduzir o risco
percebido o consumidor geralmente recorre a algumas estratégias
como busca por mais informação, fidelidade à marca, compra de
uma marca conhecida, compra de um varejista de boa reputação,
compra de uma marca mais cara e busca da segurança na forma de
garantias de devolução do dinheiro, garantias e experimentação
pré-compra.
|